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Amar, em relação ao homem e à mulher

Amar, em relação ao homem e à mulher
por Adélia Fonseca
Poema publicado originalmente na edição 348 de Semana Ilustrada, de 11 de agosto de 1867. Parte do diálogo de Muniz Barreto com Adélia Fonseca.

Amar — é Bernardim, triste gemendo,
Do bella Infanta a ausência lamentando;
E’ Pedro a esposa ao tumulo roubando,
E de rainha o sceptro lhe rendendo.

Amar — é, sim, Moêma perecendo
Nas vagas que vencer busca, nadando;
E’ Virgínia o retrato inda abraçando
De Paulo, quando a engole o abysmo horrendo

Amar — é verbo de mvsterio infindo:
Amarga taça, que tem mel no fundo;
Martyrio que se soffre, ás vezes rindo.

Amar — é sentimento em bens fecundo;
E’ o septimo céo, o céo mais lindo
Gosar no pobre, miseravel mundo.


29 de Julho de 1867.