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Ao Dia 2 de Julho[1]
por Ruy Barbosa
Bahia, 2 de Julho de 1865


"Salve dia de imensa, imorredoura glória,
"Que raiando cercado de bênçãos e esplendores,
"De um povo escravizado puseste fim às dores;
"Fama eterna deixando nas páginas da história

"Que assinalas formoso a esplêndida vitória,
"Que aos tiranos ganharam da pátria os defensores.
"De uma nação inteira — vós — esperança, amores
"— Jovens! — trazei-o sempre gravado na memória."

Cantava assim no Empíreo um coro prazenteiro,
E à voz dos serafins fadava o Onipotente
A espantoso futuro a terra do Cruzeiro.

Em vossas mãos existe destino tão ridente,
Moços! guie-vos sempre, e seja-vos luzeiro —
Na senda que trilhais da pátria o amor ardente.

Nota do autorEditar

  1. Os sonetos de versos alexandrinos portugueses não são idéia minha, nem nova, bem que seja muito pouco cultivado, apesar de que não seja inferior aos de dez sílabas, antes em quanto a mim mais formoso e mais amplo.