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Contos Tradicionaes do Povo Portuguez/A raposa e o gallo

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Contos Tradicionaes do Povo Portuguez por Teófilo Braga
248. A raposa e o gallo



248. A RAPOSA E O GALLO

Uma raposa viu um gallo pousado em cima de um palheiro, e não podendo agarral-o começou-lhe a fallar cá de baixo:

— Oh gallo, não sabes? Veiu agora uma ordem para todos os bichos serem amigos uns dos outros. Nós cá as raposas já não temos guerra com os cães, estamos amigos; e tu podes-te descer cá para baixo, que eu já te não faço mal.

Estava n’isto quando vem uma matilha de cães, e farejando-lhe a raposa, botam-se atraz d’ella. A raposa ia sendo agarrada, mas fugia o mais que podia. O gallo de cima do palheiro gritava-lhe:

— Mostra-lhe a ordem! Mostra-lhe a ordem!

A raposa, ainda de longe lhe respondia:

— Não tenho vagar! Não tenho vagar.

E fugia por entre uns tremoçaes, que já estavam seccos, e faziam uma grande bulha, e ella dizia:

— Ai que rica festa, e logo hoje que vou com tanta pressa.

(Airão.)


NotasEditar

248. A raposa e o gallo. — Nos Contos populares da Gram Bretanha, trad. de Brueyre, p. 369, vem tambem esta fabula. Acha-se em Lafontaine, Le Coq et le Renard.

fim das notas.