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Cromwell
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Vejo-o às vezes passar, como em sinistro drama,
Como a sombra dos reis que Macbeth evoca,
Esse vulto de herói, vermelho, como a chama,
Mole, como o oceano, e duro, como a roca...
 
Sobe agora, e a cabeça estrelada o céu toca,
Agora desce, e imerge em vis sapais de lama;
E onde a razão a luz de auréolas derrama,
O delírio o gramão dos histriões coloca.
 
Soldado enorme e audaz, pai cobarde e sublime;
Haurindo a sorvo lento o horror do próprio crime;
Mesclando ao fanatismo a força e a reflexão...
 
Se a Cromwell castigara o poeta florentino,
Em que ciclo do Inferno o seu poder divino
Atirara este esboço... entre o colosso e o anão?...