Diferenças entre edições de "Vingança (Artur de Azevedo)"

151 bytes adicionados ,  21h49min de 23 de abril de 2014
m
( nova página: {{navegar |obra=Vingança |autor=Artur de Azevedo |notas= }} A Lúcio Esteves Quando madame D’Arbois chegou ao Rio de Janeiro, escriturada numa troupe parisien...)
 
}}
 
A{{d|''a Lúcio Esteves''}}
 
Quando madameMadame D’Arboisd'Arbois chegou ao Rio de Janeiro, escriturada numa ''troupe parisiense'' que fez as delíciasdelicias dos freqüentadores do Cassino Franco Brésilien, muitos rapazes se apaixonaram por ela. Dizia-se que Madame d'Arbois resistia heroicamente a todas as seduções, guardando absoluta fidelidade ao marido, um ''cabotin'' qualquer, que ficara em França, esperando filosoficamente que ela voltasse da América, endinheirada e feliz.
Brésilien, muitos rapazes se apaixonaram por ela. Dizia-se que madame D’Arbois resistia heroicamente a todas as seduções, guardando absoluta fidelidade ao
marido, um cabotin qualquer, que ficara em França, esperando filosoficamente que ela voltasse da América endinheirada e feliz.
 
O jovem comendadorComendador Cardoso, que não acreditava em Penélopes de bastidores, e era, em questões eróticas, de uma diplomacia insigne, com tanta habilidade soube levar água ao seu moinho, que, ao cabo de dois meses, vivia maritalmente com Madame d'Arbois.
habilidade soube levar água ao seu moinho, que, ao cabo de dois meses, vivia maritalmente com madame D’Arbois.
 
Por esse tempo dissolveu-se a ''troupe, ''e o jovem comendadorComendador Cardoso aproveitou. o ensejo para pedir à amiga que abandonasse o teatro. Nada lhe faltaria em casa dele, que era negociante e rico. Ela aceitou depois de muito hesitar, impondo como condição, que ele estabeleceria ao marido, em Paris, uma pequena mesada de quinhentos francos.
em casa dele, que era negociante e rico. Ela aceitou depois de muito hesitar, impondo como condição, que ele estabeleceria ao marido, em Paris, uma pequena mesada de quinhentos francos.
 
Durante um ano as delícias dessa mancebia não foram perturbadas pela mais leve contrariedade. O jovem comendadorComendador Cardoso e madameMadame D’Arboisd'Arbois pareciam talhados um para o outro. Ele era um homem simpático, de trinta anos, pouco instruído é verdade, mas senhor desses hábitos sociais que até certo ponto dispensam a educação literária. Ela era uma mulher bonita, alegre, quase espirituosa, e uma senhora dona de casa, econômica e asseada como todas as francesas. Que mais poderiam ambos desejar?....
 
{{separador}}
Tudo cansa. Ao cabo de um ano, madame D’Arbois começou a sentir nostalgia dos bastidores. Demais a mais, aconteceu que o empresário da melhor
companhia brasileira de operetas, mágicas e revistas, lhe ofereceu um vantajoso contrato. convidando-a, nada mais nem menos, para substituir a estrela de maior grandeza que então brilhava no firmamento do teatro fluminense, estrela que se retirava temporariamente para a Europa.
 
Tudo cansa. Ao cabo de um ano, Madame d'Arbois começou a sentir nostalgia dos bastidores. Demais a mais, aconteceu que o empresário da melhor companhia brasileira de operetas, mágicas e revistas, lhe ofereceu um vantajoso contrato., convidando-a, nada mais nem menos, para substituir a ''estrela ''de maior grandeza que então brilhava no firmamento do teatro fluminense, ''estrela ''que se retirava temporariamente para a Europa.
O jovem comendador Cardos pôs os pés à parede. Que não, que não, que não! A Lolotte — madame D’Arbois chamava-se Charlotte — não precisava trabalhar para viver! Que o não aborrecessem!...
 
O jovem comendadorComendador CardosCardoso pôs os pés à parede. Que não, que não, que não! A Lolotte — madameMadame D’Arboisd'Arbois chamava-se Charlotte — não precisava trabalhar para viver! Que o não aborrecessem!...
— Mas non, mas non! Il ne s’agite poin d’argent, mon pauvre chéri, obtemperava Lolotte; je sens que je ferais une grosse maladie si je ne rétourne pau au theathre! Eh bien... voyons... sois gentil... Il faut que tu y consentes...
 
''MasMais non, masmais non! Il ne s’agites'agit poinpoint d’argentd'argent, mon pauvre chéri,chêri — ''obtemperava Lolotte;. je''— Je sens que je feraisferai une grosseg'rosse maladie si je ne rétourne paupas au theathrethéâtre! Eh bien... voyons... sois gentil... Il faut que tu y consentes...''
Um negociante, compadre do empresário, foi ter com o jovem comendador Cardoso, de quem era amigo íntimo e interveio com muito empenho.
 
Um negociante, compadre do empresário, foi ter com o jovem comendadorComendador Cardoso, de quem era amigo íntimo, e interveio com muito empenho.:
— Que diabo! consente, Cardosinho, consente! Se não lhe fazes a vontade, ela contraria-se, e não há nada pior que uma mulher contrariada. Depois, vê lá; não é nada, não é nada, mas sempre são seiscentos bagarotes que a pequena mete no Banco todos os meses! Não vá tu privá-la deste pecúlio.
 
— Que diabo! consenteConsente, Cardosinho, consente! Se não lhe fazes a vontade, ela contraria-se, e não há nada pior que uma mulher contrariada. Depois, vê lá;: não é nada, não é nada, mas sempre são seiscentos bagarotes que a pequena mete no Bancobanco todos os meses! Não vás tu privá-la destedesse pecúlio.!
Este último argumento foi irresistível. Mês e meio depois, madame d’Arbois estreava-se no papel de protagonista de uma opereta.
 
Este último argumento foi irresistível. Mês e meio depois, madameMadame d’Arboisd'Arbois estreava-se no papel deda protagonista de uma opereta.
Foi completo o seu triunfo. Ela falava um português fantástico, e na cantoria desafinava que era um horror, mas o público, o magnânimo público fluminense, fechou os olhos a esses defeitos, e aplaudiu-a freneticamente. Madame d’Arbois teve que repetir três vezes certas coplas cuja letra ninguém percebia, mas eram cantadas com um movimento de quadris capaz de entontecer um santo.
 
Foi completo o seu triunfo. Ela falava um português fantástico, e na cantoria desafinava que era um horror, mas o público, o magnânimo público fluminense, fechou os olhos a esses defeitos, e aplaudiu-a freneticamente. Madame d’Arboisd'Arbois teve que repetir três vezes certas coplas cuja letra ninguém percebia, mas eram cantadas com um movimento de quadris capaz de entontecer um santo.
Razão tinha o jovem comendador Cardoso em não querer que a amiga voltasse para o teatro. Dentro de pouco tempo notou nas suas maneiras uma diferença enorme. A diva contrariava-se visivelmente quando ele, cansado de esperá-la no saguão do teatro, penetrava até o camarim.
 
{{separador}}
Uma vez encontrou lá dentro, familiarmente sentado, o Lopes, o primeiro ator cômico da companhia. que logo se retirou, dizendo:
 
Razão tinha o jovem comendadorComendador Cardoso em não querer que a amiga voltasse para o teatro. Dentro de pouco tempo notou nas suas maneiras uma diferença enorme. A diva contrariava-se visivelmente quando ele, cansado de esperá-la no saguão do teatro, penetrava até o camarim.
— Adeusinho, comendador; vim cá restituir à colega o rouge que lhe pedira emprestado.
 
Uma vez encontrou lá dentro, familiarmente sentado, o Lopes, o primeiro ator cômico da companhia., que logo se retirou, dizendo:
Ele não podia desconfiar do Lopes. Era este um artista de talento, e o público estimava-o deveras, mas a Lolotte poderia lá gostar de um homem tão feio, tão desdentado e tão pouco cuidadosa da sua roupa!
 
— Adeusinho, comendador; vim cá restituir à colega o ''rouge ''que lhe pedira emprestado.
Entretanto, uma carta anônima, escrita com letra de mulher, tudo lhe disse. A primeira atriz cantora e o primeiro ator cômico encontravam-se quase todos os dias, depois do ensaio, em casa de uma corista perto do teatro.
 
Ele não podia desconfiar do Lopes. Era este um artista de talento, e o público estimava-o deveras, mas a Lolotte poderia lá gostar de um homem tão feio, tão desdentado e tão pouco cuidadosacuidadoso da sua roupa!
Um dia, o jovem comendador Cardoso, depois de se haver posto em observação numa casa que ficava em frente à da hospitaleira corista, saiu, atravessou a rua e entrou na sala das entrevistas. Lolotte estava sentada, de pernas cruzadas, a fumar um cigarro turco; o Lopes de pé, em ceroulas.
 
Entretanto, uma carta anônima, escrita com letra de mulher, tudo lhe disse. A primeira atriz cantora e o primeiro ator cômico encontravam-se, quase todos os dias, depois do ensaio, em casa de uma corista, perto do teatro.
O primeiro ator cômico, ao ver o jovem comendador Cardoso, não perdeu o sangue frio, e começou a fingir que estava a ensaiar:
 
Um dia, o jovem comendadorComendador Cardoso, depois de se haver posto em observação numa casa que ficava em frente à da hospitaleira corista, saiu, atravessou a rua e entrou na sala das entrevistas. Lolotte estava sentada, de pernas cruzadas, a fumar um cigarro turco; o Lopes de pé, em ceroulas.
— É como vos digo, princesa Briolanja; o rei, vosso pai, não acredita nas palavras da Fada das Safiras, e quer absolutamente encontrar nos seus reinos um mancebo, fidalgo ou vilão, que vença o Dragão Vermelho, e vos despose!...
 
O primeiro ator cômico, ao ver o jovem comendadorComendador Cardoso, não perdeu o sangue -frio, e começou a fingir que estava a ensaiar:.
Mas o jovem comendador Cardoso não engoliu a pílula, e disse, dirigindo-se à princesa Briolanja, que continuava a fumar os eu cigarro turco:
 
— É como vos digo, princesaPrincesa Briolanja; o rei, vosso pai, não acredita nas palavras da Fada das Safiras, e quer absolutamente encontrar nosTIOS seus reinosremos um mancebo, fidalgo ou vilão, que vença o Dragão Vermelho, e vos despose!...
 
Mas o jovem comendadorComendador Cardoso não engoliu a pílula, e disse, dirigindo-se à princesaPrincesa Briolanja, que continuava a fumar oso euseu cigarro turco:
 
— Bem; estou satisfeito; vi o que queria ver. Fique-se com o senhor Lopes, que realmente é digno da senhora!
E saiu arrebatadamente.
 
— E agora? perguntou o cômico.
 
— Oh! eleEle voltará! afirmou ela, carregando os erres, entre uma baforada de fumo.
 
E foram deitar-se.
 
{{separador}}
O jovem comendador Cardoso não voltou, e madame d’Arbois ficou bastante contrariada, porque o ator Lopes tinha numerosa família - mulher e filhos - e não lhe dava um vintém. Demais, ela bem depressa fartou-se desse amores reles. Que doidice a sua: trocar por aquele tipo um rapaz rico, inteligente, simpático e generoso!
 
O jovem comendadorComendador Cardoso não voltou, e madameMadame d’Arboisd'Arbois ficou bastante contrariada, porque o ator Lopes tinha numerosa família - mulher e filhos - e não lhe dava um vintém. Demais, ela bem depressa fartou-se dessedesses amores reles. Que doidice a sua: trocar por aquele tipo um rapaz rico, inteligente, simpático e generoso!
Acresce que a opereta, recebida com grande entusiasmo durante as trinta primeiras representações, já não atraía o público; o teatro ficava agora todas as noites vazio e o empresário já devia um mês de ordenados à companhia...
 
Acresce que a opereta, recebida com grande entusiasmo durante as trinta primeiras trinta representações, já não atraía o público; o teatro ficava agora todas as noites vazio e o empresário já devia um mês de ordenados à companhia...
A primeira representação da peça que estava em ensaios, a tal em que entravam a Fada das Safiras e o Dragão Vermelho, devia ser dada em benefício do Lopes, e esse espetáculo era ansiosamente esperado. O beneficiado via-se doido para atender aos numerosos pedidos de bilhetes. Nos jornais apareciam todos os dias grandes reclames à “festa artística”, anunciada também pelas esquinas em vistosos cartazes, onde esse nome — LOPES — se destacava em enormes caracteres vermelhos.
 
{{separador}}
Chegou a noite do espetáculo. As sete horas e meia as torrinhas, os corredores e o jardim do teatro já estavam apinhados. Uma hora depois, a sala transbordava, e todo aquela gente abanava-se com leques, ventarolas, lenços e programas, bufando de calor. Os espectadores das torrinhas batiam com os pés e as bengalas. e dirigiam chufas aos da platéia e dos camarotes, talvez com a idéia de se vingarem de os ver em lugares menos incômodos. Os críticos teatrais estavam a postos. Os músicos afinavam os instrumentos; um garoto apregoava o retrato e a biografia do glorioso Lopes; as conversações cruzavam-se; e todos esses ruídos juntos produziam um barulho ensurdecedor e terrível.
 
A primeira representação da peça que estava em ensaios, a tal em que entravam a Fada das Safiras e o Dragão Vermelho, devia ser dada em benefíciobeneficio do Lopes, e esse espetáculo era ansiosamente esperado. O beneficiado via-se doido para atender aos numerosos pedidos de bilhetes. Nos jornais apareciam todos os dias grandes ''reclames ''à “festa"festa artística”artística", anunciada também pelas esquinas em vistosos cartazes, onde esseeste nome — LOPES — se destacava em enormes caracteres vermelhos.
De repente, ouviu-se o agudo som de uma sineta, ao mesmo tempo em que uma campainha elétrica retinia longamente, e a sala, até então quase escura, aparecia numa intensidade de luz, arrancando um prolongado O......o....oh!.... das torrinhas... Eram nove horas.
 
Chegou a noite do espetáculo. AsÀs sete horas e meia as torrinhas, os corredores e o jardim do teatro já estavam apinhados. Uma hora depois, a sala transbordava, e todotoda aquela gente abanava-se com leques, ventarolas, lenços e programas, bufando de calor. Os espectadores das torrinhas batiam com os pés e as bengalas., e dirigiam chufas aos da platéia e dos camarotes, talvez com a idéia de se vingarem de os ver em lugares menos incômodos. Os críticos teatrais estavam a postos. Os músicos afinavam os instrumentos; um garoto apregoava o retrato e a biografia do glorioso Lopes; as conversações cruzavam-se; e todos esses ruídos juntos produziam um barulho ensurdecedor e terrível.
Restabelecido o silêncio, o regente da orquestra subiu vagarosamente para o seu lugar, abriu a partitura, falou em voz baixa a alguns músicos, bateu três pancadas na estante, levantou a batuta, e fez executar a ouverture.
 
De repente, ouviu-se o agudo som de uma sineta, ao mesmo tempo em que uma campainha elétrica retinia longamente, e a sala, até então quaseque se escura, aparecia numa intensidade de luz, arrancando um prolongado ''O...... o....oh!. 0k... ''das torrinhas... Eram nove horas.
 
Restabelecido o silêncio, o regente da orquestra subiu vagarosamente para o seu lugar, abriu a partitura, falou em voz baixa a alguns músicos, bateu três pancadas na estante, levantou a batuta, e fez executar a ''ouverture''.
 
Terminada esta, naturalmente esperavam todos que o pano subisse, mas não subiu.
Passaram-se alguns minutos.
 
Começou o público a impacientar-se, batendo com os pés. A pateada cresceu. Uma ordenança foi destacada do camarote da polícia para o palco. O beneficiado, vestido de escudeiro de mágica, surdiu no proscênio e foi recebido com uma salva de palmas. Mas de todos os lados fizeram: Psiu! psiu! — e o barulho cessou.
 
— Respeitável público, disse o primeiro ator cômico - o espetáculo não pode ter começo, porque a atriz madameMadame d’Arboisd'Arbois, incumbida de um dos principais papéis, até agora não apareceu no teatro. Rogo-vos humildemente que espereis alguns minutos mais, e me perdoeis esta falta, inteiramente alheia à minha vontade.
 
EsteEsse cavaco foi acolhido com outra salva de palmas. O Lopes retirou-se, cumprimentadocumprimentando e agradecendo para a esquerda, para a direita, para cima, para baixo, e os comentários, os risos, as imprecações e os gracejos começaram num vozerio atroador.
 
De vez em quando saíam da caixa do teatro, ou para lá entravam, correndo pelo corredor, pessoas azafamadas, espavoridas, — empregados da contra-regra, costureiras, etc., — mandadas à procura de madameMadame d’Arboisd'Arbois.
 
Passava das nove e meia quando o Lopes, coagido pela polícia, veio de novo ao proscênio declarar que, não se achando madameMadame d’Arboisd'Arbois no teatro nem na casa de sua residência, ficava o espetáculo transferido para quando se anunciasse. Desta vez não houve palmas que saudassem o primeiro ator cômico.
 
Desta vez não houve palmas que saudassem o primeiro ator cômico.
 
A saída dos espectadores fez-se no meio de uma confusão indescritível. Muitos exigiram que lhes fosse restituído o dinheiro, e promoveram desordem na bilheteria. Foi necessária a intervenção da polícia. Só às onze horas pode ser restabelecida a ordem e fechado o teatro.
 
{{separador}}
Onde estava madame d’Arbois?
 
Onde estava madameMadame d’Arboisd'Arbois?
No dia do espetáculo ela acabara de jantar, e, reclinada na sua espreguiçadeira, relia mais uma vez o interessante papel de princesa Briolanja que devia representar essa noite, quando lhe trouxeram uma carta do jovem comendador Cardoso.
 
No dia do espetáculo ela acabara de jantar, e, reclinada na sua espreguiçadeira, relia mais uma vez o interessante papel de princesaPrincesa Briolanja, que devia representar essa noite, quando lhe trouxeram uma carta do jovem comendadorComendador Cardoso.
— Ah! ah! pensou a francesa com um sorriso de triunfo, voltou ou não voltou?
 
— Ah! ahAh! pensou a francesa com um sorriso de triunfo,. — voltouVoltou ou não voltou?
 
E abriu a carta:
 
“Lolotte"Lolotte — Escreveste-me, pedindo que te perdoasse. Perdôo-te, mas sob uma condição: deixarás de representar hoje no benefíciobeneficio do homem que foi o causador da nossa separação, ou, por outra, nunca mais representarás. Só assim serei para ti o mesmo que já fui. Se aceitas, mete-te no carro que ai te irá buscar às sete horas da noite, e vai ter comigo no Hotel Laroche, no alto da Tijuca, onde estou passando uns dias, e onde ficarásficaras em minha companhia. Se não, não. — ''Cardoso."''
 
Princesa Briolanja leu e releu esse bilhete.
 
A princesa Briolanla leu e releu este bilhete. Era o perdão, era o descanso, era a fortuna, que lhe traziam aquelas letras. Deixando ede comparecer ao espetáculo, ela praticava uma ação feia, provocava um escândalo inaudito, mas isso que lhe importava, se saía do teatro e ia outra vez estar de casa e pucarinha com aquele homem distinto a quem tantos favores e tanto afeto devia?
 
Pouco depois da hora aprazada, Lolotte entrou no discreto ''coupé ''que a esperava à porta de casa, e chegou ao Hotel Laroche precisamente na ocasião em que o Lopes, desesperado, apelava para a paciência do público.
A princesa Briolanla leu e releu este bilhete. Era o perdão, era o descanso, era a fortuna, que lhe traziam aquelas letras. Deixando e comparecer ao espetáculo, ela praticava uma ação feia, provocava um escândalo inaudito, mas isso que lhe importava, se saía do teatro e ia outra vez estar de casa e pucarinha com aquele homem distinto a quem tantos favores e tanto afeto devia?
 
{{separador}}
Pouco depois da hora aprazada, Lolotte entrou no discreto coupé que a esperava à porta de casa, e chegou ao Hotel Laroche precisamente na ocasião em que o Lopes desesperado, apelava para a paciência do público.
 
Ao entrar no hotel, madameMadame d’Arboisd'Arbois perguntou a um criado:
 
— O comendadorComendador Cardoso?
 
— Não está, mas deixou um bilhete para aMadame madame d’Arboisd'Arbois. É~ a senhora?
 
— Sim, sou eu.
E a desgraçada leu o seguinte:
 
“Caíste"Caíste como um patinho, minha toleirona. Estou vingado de ti e do teu Lopes. Volta para ele; é tão pulha, que talvez te aceite ainda. — ''Cardoso."''
 
[[Categoria:Artur de Azevedo]]