Diferenças entre edições de "História da Mitologia/XXXIII"

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Eneias, tendo se despedido da Sibila e se juntado à sua frota, margeou ao longo das costas da Itália e lançou âncora na boca do Tibre. O poeta [[:w:Virgílio|Virgílio]], tendo trazido o herói até este lugar, o fim determinado das andanças do herói, invoca sua Musa para contar a ele como estavam as coisas até aquele agitado momento. [[:w:Latino (mitologia)|Latino]], o terceiro na descendência de [[:w:Saturno (mitologia)|Saturno]], governava o país. Ele agora estava velho e não tinha nenhum descendente da linhagem masculina, mas tinha uma filha encantadora, [[:w:Lavínia|Lavínia]], a quem muitos chefes das vizinhanças haviam pedido em casamento, e dentre eles, [[:w:Turno|Turno]], rei dos [[:w:Rútulos|rútulos]], foi favorecido pelos desejos dos pais da jovem. Mas Latino tinha sido avisado durante um sonho pelo seu pai [[:w:Fauno|Fauno]], de que o marido destinado para Lavínia deverá vir de um país estrangeiro. E dessa união surgiria uma raça predestinada a dominar o mundo.
 
Nosso leitores se lembrarão de que durante o conflito com as [[:w:Harpia|Harpias]], um daqueles pássaros semi-humanos havia ameaçado os troianos com sofrimentos atrozes. Particularmente, a ave havia predito, que antes que cessassem suas andanças, eles seriam pressionados pela fome a devorar suas próprias mesas. Este presságio agora se tornava realidade, pois, enquanto faziam uma refeição escassa, sentados sobre a relva, os homens colocaram seus biscoitos envelhecidos no colo, adicionando junto todas as migalhas colhidas na floresta. Assim que devoraram as últimas migalhas, terminaram por comer as cascas de pão. Ao ver isto, o garoto [[:w:Iulo|Iulo]] disse brincando: "Veja, estamos comendo nossas mesas." Eneias entendeu o significado e aceitou o presságio. "Todos façam suas saudações à terra prometida!" exclamou ele, "este é o nosso lar, nosso país." Ele, então, tomou providências para descobrir onde se encontravam os atuais habitantes da terra, e quem eram seus governantes. Uma centena de homens foi enviada até a aldeia de Latino, levando presentes e um pedido de amizade e de aliança. Chegando lá, foram recebidos com cordialidade. Latino imediatamente concluiu que o herói troiano era nada mais que o genro prometido e que fora anunciado pelo oráculo. Latino alegremente concordou com a aliança e mandou de volta os mensageiros, montados sobre cavalos de seus estábulos, carregados de presentes e mensagens de amizade.
[[File:Dosso Dossi 001.jpg|thumb|500px|<center>Eneias e Acates<br>ilustração de [[:w:Dosso Dossi|Dosso Dossi]] (1490-1542)</center>]]
Juno, ao ver que as coisas seguiam tão prósperas para os troianos, sentiu renascer dentro de si uma velha animosidade, e chamando [[:w:Alecto|Alecto]] do [[:w:Érebo|Érebo]], mandou que ela espalhasse a discórdia. A Fúria primeiro se apossou da rainha, [[:w:Amata|Amata]], e fez com que ela se opusesse de todas as maneiras contra a nova aliança. Alecto, então, correu até a cidade de Turno, e assumindo a forma de uma velha sacerdotisa, informou-o sobre a chegada dos estrangeiros e as tentativas de seu príncipe de roubar-lhe a noiva. Em seguida, ela voltou sua atenção para o campo dos troianos. Lá, ela viu o garoto Iulo e seus companheiros brincando durante a caça. Ela aguçou, então, o orgão sensitivo dos cães, e os levou a descobrir um cervo manso atrás de uma moita, o favorito de Sílvia, filha de Tirreu, o pastor do rei. Um dardo das mãos de Iulo feriu o animal, mas ele ainda teve forças para correr para casa, morrendo aos pés de sua dona. Os gritos e lamúrias dela chegaram até seus irmãos e os pastores, e eles, munidos de quaisquer armas que tivessem em mãos, atacaram com fúria o bando de caçadores. Estes estavam protegidos por seus amigos, e os pastores finalmente bateram em retirada com perda de dois indivíduos de seu grupo.
 
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== A abertura dos portões do templo de [[:w:Jano|Jano]] ==
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