Diferenças entre edições de "Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990)"

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São os seguintes os casos em que não se usa o apóstrofo:
{{-}}
Não é admissível o uso do apóstrofo nas combinações das preposições de e em com as formas do artigo definido, com formas pronominais diversas e com formas adverbiais (excetuado o que se estabelece nas alíneas 1º)<sup>o</sup> a) e 1º)<sup>o</sup> b) ). Tais combinações são representadas:
 
<ol style="list-style-type: lower-alpha;">
<ol style="list-style-type: lower-roman;">
<li><!-- i) -->
''do, da, dos, das''; ''dele, dela, deles, delas''; ''deste, desta, destes, destas, disto''; ''desse, dessa, desses, dessas, disso''; ''daquele, daquela, daqueles, daquelas, daquilo''; ''destoutro, destoutra, destoutros, destoutras''; ''dessoutro, dessoutra, dessoutros, dessoutras''; ''daqueloutro, daqueloutra, daqueloutros, daqueloutras''; ''daqui; daí; dali''; ''dacolá''; ''donde''; ''dantes ''(= ''antigamente'');
</li>
 
<li><!-- ii) -->
''no, na, nos, nas''; ''nele, nela, neles, nelas''; ''neste, nesta, nestes, nestas, nisto''; ''nesse, nessa, nesses, nessas, nisso''; ''naquele, naquela, naqueles, naquelas, naquilo''; ''nestoutro, nestoutra, nestoutros, nestoutras''; ''nessoutro, nessoutra, nessoutros, nessoutras''; ''naqueloutro, naqueloutra, naqueloutros, naqueloutras''; ''num, numa, nuns, numas''; ''noutro, noutra, noutros, noutras, noutrem''; ''nalgum, nalguma, nalguns, nalgumas, nalguém.''
</li>
</ol>
 
<li><!-- b) -->
Por uma ou duas formas vocabulares, se não constituem, de modo fixo, uniões perfeitas (apesar de serem correntes com esta feição em algumas pronúncias): ''de um, de uma, de uns, de umas,'' ou ''dum, duma, duns, dumas''; ''de algum, de alguma, de alguns, de algumas, de alguém, de algo, de algures, de alhures,'' ou ''dalgum, dalguma, dalguns, dalgumas, dalguém, dalgo, dalgures, dalhures''; ''de outro, de outra, de outros, de outras, de outrem, de outrora,'' ou ''doutro, doutra, doutros, doutras, doutrem, doutrora''; ''de aquém'' ou ''daquém''; ''de além'' ou ''dalém''; ''de entre'' ou ''dentre''.
{{-}}
De acordo com os exemplos deste último tipo, tanto se admite o uso da locução adverbial ''de ora avante'' como do advérbio que representa a contração dos seus três elementos: ''doravante.''
</li>
 
 
{{c|''Obs.''}} Quando a preposição ''de'' se combina com as formas articulares ou pronominais ''o'', ''a'', ''os'', ''as'', ou com quaisquer pronomes ou advérbios começados por vogal, mas acontece estarem essas palavras integradas em construções de infinitivo, não se emprega o apóstrofo, nem se funde a preposição com a forma imediata, escrevendo-se estas duas separadamente: afim''a fim de ele compreender''; ''apesar de o não ter visto''; ''em virtude de os nossos pais serem bondosos''; ''o facto de o conhecer''; ''por causa de aqui estares.''
</ol>
</li>
 
<li><!-- b) -->
Nos nomes dos dias, meses, estações do ano: ''segunda-feira''; ''outubro''; ''primavera''.
</li>
 
<li><!-- c) -->
Nos bibliónimos/bibliônimos (após o primeiro elemento, que é com maisúculamaiúscula, os demais vocábulos, podem ser escritos com minúscula, salvo nos nomes próprios nele contidos, tudo em grifo): ''O Senhor do paço de Ninães,'' ou ''O Senhorsenhor do paço de Ninães'', ''Menino de engenho'' ou ''Menino de Engenho'', ''Árvore e Tambor'' ou ''Árvore e Tambortambor''.
</li>
 
<li><!-- d) -->
Nos usos de ''fulano'', ''sicrano'', ''beltrano''.
</li>
 
<li><!-- e) -->
Nos pontos cardeais (mas não nas suas abreviaturas): ''norte'', ''sul'' (mas: ''SW sudoeste'').
</li>
 
<li><!-- f) -->
Nos axiónimos/axiônimos e hagiónimos/hagiônimos (opcionalmente, neste caso, também com maiúscula): ''senhor doutor Joaquim da Silva, bacharel Mário Abrantes, o Cardealcardeal Bembo''; ''santa Filomena'' (ou ''Santa Filomena'').
</li>
 
<li><!-- g) -->
Nos nomes que designam domínios do saber, cursos e disciplinas (opcionalmente, também com maiúscula): ''português'' (ou ''Português''), ''matemática'' (ou ''Matemática''); ''línguas e literaturas modernas'' (ou ''Línguas e Literaturas Modernas'').
</li>
</ol>
<ol style="list-style-type: lower-alpha;">
<li><!-- a) -->
Nos antropónimos/antropônimos, reais ou fictícios: ''Pedro Marques''; ''Branca de Neve, D. Quixote.''
</li>
 
<li><!-- b) -->
Nos topónimos/topônimos, reais ou fictícios: ''Lisboa, Luanda, Maputo, Rio de Janeiro;, Atlântida, Hespéria.''
</li>
 
<li><!-- c) -->
Nos nomes de seres antropomorfizados ou mitológicos: ''Adamastor''; ''Neptuno/ Netuno.''
</li>
 
<li><!-- d) -->
Nos nomes que designam instituições: ''Instituto de Pensões e Aposentadorias da Previdência Social.''
</li>
 
<li><!-- e) -->
Nos nomes de festas e festividades: ''Natal, Páscoa, Ramadão, Todos os Santos.''
</li>
 
<li><!-- f) -->
Nos títulos de periódicos, que retêm o itálico: ''O Primeiro de Janeiro, O Estado de São Paulo ''(ou ''S. Paulo'')''.''
</li>
 
<li><!-- g) -->
Nos pontos cardeais ou equivalentes, quando empregados absolutamente: ''Nordeste'', por nordeste do Brasil, ''Norte'', por norte de Portugal, ''Meio-Dia'', pelo sul da França ou de outros países, ''Ocidente'', por ocidente europeu, ''Oriente'', por oriente asiático.
</li>
 
<li><!-- h) -->
Em siglas, símbolos ou abreviaturas internacionais ou nacionalmente reguladas com maiúsculas, iniciaisini- ciais ou mediais ou finais ou o todo em maiúsculas: ''FAO, NATO, ONU''; ''H2O, Sr., V. Exª.<sup>a</sup>.''
</li>
 
<li><!-- i) -->
Opcionalmente, em palavras usadas reverencialmente, aulicamente ou hierarquicamente, em inicioinício de versos, em categorizações de logradouros públicos: (''rua'' ou ''Rua da Liberdade'', ''largo'' ou ''Largo dos Leões''), de templos (''igreja'' ou ''Igreja do Bonfim'', ''templo'' ou ''Templo do Apostolado Positivista''), de edifícios (''palácio'' ou ''Palácio da Cultura'', ''edifício'' ou ''Edifício Azevedo Cunha'').
</li>
 
 
{{c|''Obs.''}} As disposições sobre os usos das minúsculas e maiúsculas não obstam a que obras especializadas observem regras próprias, provindas de códigos ou normalizações específicas (terminologias antropológica., geológica, bibliológica, botânica, zoológica, etc.), promanadas de entidades científicas ou normal izadorasnormalizadoras, reconhecidas internacionalmente.
</ol>
</li>
 
 
A divisão silábica, que em regra se faz pela soletração (''a-ba-de, bru-ma, ca-cho, lha-no, ma-lha, ma-nha, má-xi-mo, ó-xi-do, ro-xo, te-me-se''), e na qual, por isso, se não tem de atender aos elementos constitutivos dos vocábulos segundo a etimologia (''a-ba-li-e-nar, bi-sa- vó, de-sa-pa-re-cer, di-sú-ri-co, e-xâ-ni-me, hi-pe-ra-cús-ti-co, i-ná-bil, o-hobo-vaival, su-bo-cu-lar, su-pe-rá-ci-do)'', obedece a vários preceitos particulares, que rigorosamente cumpre seguir, quando se tem de fazer em fim de linha, mediante o emprego do hífen, a partição de uma palavra:
 
<ol>
<li><!-- 1.º -->
São indivisíveis no interior de palavra, tal como inicialmente, e formam, portanto, sílaba para a frente as sucessões de duas consoantes que constituem perfeitos grupos, ou sejam (com exceção apenas de vários compostos cujos prefixos terminam em h,''b'' ou ''d'': ''ab- legação, ad- ligar, sub- lunar,'' etc., em vez de ''a-blegação, a-dligar, su-blunar,'' etc.) aquelas sucessões em que a primeira consoante é uma labial, uma velar, uma dental ou uma labiodental e a segunda um ''l'' ou um ''r'': ablução, ce''a-blução, lecele-brar, du-plicação, re-primir''; ''a-clamar, de-creto, de-glutição, re-grado''; ''a-tlético, cáte-dra, períme-tro''; ''a-fluir, a-fricano, ne-vrose.''
</li>
 
<li><!-- 2.º -->
São divisíveis no interior da palavra as sucessões de duas consoantes que não constituem propriamente grupos e igualmente as sucessões de ''m'' ou ''n'', com valor de anasalidadenasalidade, e uma consoante: ''ab-dicar, Ed-gordogardo, op-tar, sub-por, absolutoab-soluto, ad-jetivo, af-ta, bet-samita, íp-silon, ob-viar''; ''des-cer, dis-ciplina, flores-cer, nas-cer, res-cisão''; ''ac-ne, ad-mirável, Daf- ne, diafrag-ma, drac-ma, ét-nico, rit-mo, sub-meter, am-nésico, interam- nense''; ''bir-reme, cor-roer, pror-rogar''; ''as-segurar, bis-secular, sos- segar''; ''bissex-loto, contex-to, ex-citar, atroz-mente, capaz-mente, infeliz- mente''; ''am-bição, desen-ganar, en-xame, man-chu, Mân-lio,'' etc.
</li>
 
<li><!-- 3.º -->
As sucessões de mais de duas consoantes ou de ''m'' ou ''n'', com o valor de nasalidade, e duas ou mais consoantes são divisíveis por um de dois meios: se nelas entra um dos grupos que são indivisíveis (de acordo com o preceito 1º<sup>o</sup>), esse grupo forma sílaba para diante, ficando a consoante ou consoantes que o precedem ligadas à sílaba anterior; se nelas não entra nenhum desses grupos, a divisão dá-se sempre antes da última consoante. Exemplos dos dois casos: cambraia''cam-braia, ec-tlipselipse, em-blema, ex- plicar, in-cluir, ins-crição, subs-crever, trans-gredir''; ''abs-tenção, disp- neia, inters-telar, lamb-dacismo, sols-ticial, Terp-sícore, tungs-tênioténio.''
</li>
 
<li><!-- 4.º -->
As vogais consecutivas que não pertencem a ditongos decrescentes (as que pertencem a ditongos deste tipo nunca se separam: ''ai-roso, cadei-ra, insti-tui, ora-ção, sacris-tães, traves-sões'') podem, se a primeira delas não é ''u'' precedido de ''g'' ou ''q'', e mesmo que sejam iguais, separar-se na escrita: ''ala-úde, áre-as, coca-apeba, co-ordenar, do-er, flu-idez, perdo- as, vo-os.'' O mesmo se aplica aos casos de contiguidade de ditongos, iguais ou diferentes, ou de ditongos e vogais: ''cai-ais, caícai-eis, ensaíensai-os, flu-iu.''
</li>
 
<li><!-- 5.º -->
Os digramas ''gu'' e ''qu'', em que o ''u'' se não pronuncia, nunca se separam da vogal ou ditongo imediato (''ne- gue, ne- guei''; ''pe- que, pe- quei''), do mesmo modo que as combinações ''gu'' e ''qu'' em que o ''u'' se pronuncia: ''á-gua, ambí-guo, averi-gueis''; ''longín-quos, lo-quaz, quais-quer.''
</li>
 
<li><!-- 6.º -->
Na translineação de uma palavra composta ou de uma combinação de palavras em que há um hífen, ou mais, se a partição coincide com o final de um dos elementos ou membros, deve, por clareza gráfica, repetir-se o hífen no início da linha imediata: ''ex-&nbsp;-alferes, serená- &nbsp;-los-&nbsp;-emos ou serená-&nbsp;-los- &nbsp;-emos, vice- &nbsp;-almirante.''
</li>
</ol>
 
 
Para ressalva de direitos, cada qual poderá manter a escrita que, por costume ou registroregisto legal, adote na assinatura do seu nome.
 
Com o mesmo fim, pode manter-se a grafia original de quaisquer firmas comerciais, nomes de sociedades, marcas e títulos que estejam inscritos em registroregisto público.
 
{{T2|Notas}}