Diferenças entre edições de "Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990)"

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{{T2|{{sc|<big>Nota explicativa do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990)</big>}}|Anexo III: }}
 
 
'''{{T4|Casos de dupla acentuação|align = left}}'''
 
'''===== Nas proparoxítonas (Base XI)''' =====
 
Verificou-se assim que as divergências, no que respeita às proparoxítonas, se circunscrevem praticamente, como já foi destacado atrás, ao caso das vogais tónicas ''e'' e ''o'', seguidas das consoantes nasais ''m'' e ''n'', com as quais aquelas não formam sílaba (v. Base XI, 3<sup>o</sup>).
Note-se que se as vogais ''e'' e ''o'', assim como ''a'', formam sílaba com as consoantes ''m'' ou ''n'', o seu timbre é sempre fechado em qualquer pronúncia culta da língua, recebendo, por isso, acento circunflexo: ''êmbolo, amêndoa, argênteo, excêntrico, têmpera''; ''anacreôntico, cômputo, recôndito''; ''cânfora, Grândola, Islândia, lâmpada, sonâmbulo,'' etc.
 
'''===== Nas paroxítonas (Base IX)''' =====
 
Também nos casos especiais de acentuação das paroxítonas ou graves (v. Base IX, 2<sup>o</sup>), algumas palavras que contêm as vogais tónicas ''e'' e ''o'' em final de sílaba, seguidas das consoantes nasais ''m'' e ''n'', apresentam oscilação de timbre, nas pronúncias cultas da língua.
Tais palavras são assinaladas com acento agudo, se o timbre da vogal tónica é aberto, ou com acento circunflexo, se o timbre é fechado: ''fémur'' ou ''fêmur'', ''Fénix'' ou ''Fênix'', ''ónix'' ou ''ônix'', ''sémen'' ou ''sêmen'', ''xénon'' ou ''xênon''; ''bónus'' ou ''bônus'', ''ónus'' ou ''ônus'', ''pónei'' ou ''pônei'', ''ténis'' ou ''tênis'', ''Vénus'' ou ''Vênus''; etc. No total, estes são pouco mais de uma dúzia de casos.
 
'''===== Nas oxítonas (Base VIII)''' =====
 
Encontramos igualmente nas oxítonas (v. Base VIII, 1<sup>o</sup> a, ''obs.'') algumas divergências de timbre em palavras terminadas em e tónico, sobretudo provenientes do francês. Se esta vogal tónica soa aberta, recebe acento agudo; se soa fechada, grafa-se com acento circunflexo. Também aqui os exemplos pouco ultrapassam as duas dezenas: ''bebé'' ou ''bebê'', ''caraté'' ou ''caratê'', ''croché'' ou ''crochê'', ''guiché'' ou ''guichê'', ''matiné'' ou ''matinê'', ''puré'' ou ''purê''; etc. Existe também um caso ou outro de oxítonas terminadas em o ora aberto ora fechado, como sucede em ''cocó'' ou ''cocô'', ''ró'' ou ''rô''.
A par de casos como este há formas oxítonas terminadas em o fechado, às quais se opõem variantes paroxítonas, como acontece em ''judô'' e ''judo'', ''metrô'' e ''metro'', mas tais casos são muito raros.
 
'''===== Avaliação estatística dos casos de dupla acentuação gráfica''' =====
 
Tendo em conta o levantamento estatístico que se fez na Academia das Ciências de Lisboa, com base no já referido ''corpus'' de cerca de 110.000 palavras do vocabulário geral da língua, verificou-se que os citados casos de dupla acentuação gráfica abrangiam aproximadamente 1,27% (cerca de 1.400 palavras). Considerando que tais casos se encontram perfeitamente delimitados, como se referiu atrás, sendo assim possível enun- ciar a regra de aplicação, optou-se por fixar a dupla acentuação gráfica como a solução menos onerosa para a unificação ortográfica da língua portuguesa.
'''{{T4|Supressão de acentos gráficos em certas palavras oxítonas e paroxítonas (Bases VIII, IX e X)|align = left}}'''
 
'''===== Em casos de homografia (Bases VIII, 3<sup>o</sup> e IX, 9<sup>o</sup> e 10<sup>o</sup>)''' =====
 
O novo texto ortográfico estabelece que deixem de se acentuar graficamente palavras do tipo de ''para'' (''á''), flexão de ''parar'', ''pelo'' (''ê''), substantivo, ''pelo'' (''é''), flexão de ''pelar'', etc., as quais são homógrafas, respectivamente, das proclíticas ''para'', preposição, ''pelo'', contração de ''per'' e ''lo'', etc.
</ol>
 
'''===== Em paroxítonas com os ditongos ''ei'' e ''oi'' na sílaba tónica (Base IX, 3<sup>o</sup>)''' =====
 
O novo texto ortográfico propõe que não se acentuem graficamente os ditongos ''ei'' e ''oi'' tónicos das palavras paroxítonas. Assim, palavras como ''assembleia, boleia, ideia,'' que na norma gráfica brasileira se escrevem com acento agudo, por o ditongo soar aberto, passarão a escrever-se sem acento, tal como ''aldeia, baleia, cheia,'' etc.
Então, se não se torna necessário, nestes casos, distinguir pelo acento gráfico o timbre da vogal tónica, por que se há-de usar o diacrítico para assinalar a abertura dos ditongos ''ei'' e ''oi'' nas paroxítonas, tendo em conta que o seu timbre nem sempre é uniforme e a presença do acento constituiria um elemento perturbador da unificação ortográfica?
 
'''===== Em paroxítonas do tipo de ''abençoo'', ''enjoo'', ''voo'', etc. (Base IX, 8<sup>o</sup>)''' =====
 
Por razões semelhantes às anteriores, o novo texto ortográfico consagra também a abolição do acento circunflexo, vigente no Brasil, em palavras paroxítonas como ''abençoo'', flexão de ''abençoar'', ''enjoo'', substantivo e flexão de ''enjoar'', ''moo'', flexão de ''moer'', ''povoo'', flexão de ''povoar'', ''voo'', substantivo e flexão de ''voar'', etc.
O uso do acento circunflexo não tem aqui qualquer razão de ser, já que ele ocorre em palavras paroxítonas cuja vogal tónica apresenta a mesma pronúncia em todo o domínio da língua portuguesa. Além de não ter, pois, qualquer vantagem nem justificação, constitui um factor que perturba a unificação do sistema ortográfico.
 
'''===== Em formas verbais com ''u'' e ''ui'' tónicos, precedidos de ''g'' e ''q'' (Base X, 7<sup>o</sup>)''' =====
 
Não há justificação para se acentuarem graficamente palavras como ''apazigue'', ''arguem'', etc., já que estas formas verbais são paroxítonas e a vogal ''u'' é sempre articulada, qualquer que seja a flexão do verbo respectivo.