Diferenças entre edições de "Correspondência ativa de Euclides da Cunha em 1901"

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sem resumo de edição
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<p>Senti que o digno amigo, na sua carta, não me desse notícias suas e dos parentes, um dos quais, o Gambeta, é para mim uma das mais belas recordações do meu passado que já se vai distanciando. Espero que em próxima carta me dê notícias mais detalhadas.
<p>Quando for a S. Paulo ficarei aí em Campinas, para abraçá-lo e conversarmos.
<p>Sem mais recomende a todos quem é velho amoamº. e admoradm<sup>or</sup>.
 
<p>Euclides da Cunha
<p>Alberto Sarmento
 
<p>Saúdo-te. Respondo a tua carta de 5 do corrente, agradecendo-te o interesse que manifestas pela minha entrada para o Ginásio daí. Infelizmente, conforme disse em carta anterior, nenhuma resolução posso tomar ainda. A braços com a minha tarefa, aqui, somente depois de ultimá-la, direi positivamente alguma coisa a respeito. Quando for a S. Paulo aí conversarei e conversaremos melhor. Prevenir-te-ei com antecedência. Antes disto, porém, caso me seja possível resolver sobre o assunto, te escreverei. De qualquer modo, porém, que se resolva a questão ficar-te-á bastante agradecido por tão alta prova de estima quem é teu correligionário e amoamº.
 
<p>Euclides da Cunha
 
<p>Cumprimento-te desejando felicidades. Lendo a notícia de minha inscrição para o concurso do Ginásio, peço-te que certifiques a informação: sou apenas candidato a candidato, nada podendo resolver por enquanto. Às voltas, ainda, com a minha rude missão, espero que ela termine ― o que sucederá antes de dois meses ― para resolver qualquer coisa.
Sem mais, peço-te que me recomendes a toda a tua família e recebe um abraço do amoamº. obroobr<sup>o</sup>. e admoradm<sup>or</sup>.
 
<p>Euclides da Cunha
 
<p>Escobar
<p>Felicidades. Recomenda-me à Exma. senhora. ― Recebi no dia de partir de S. Carlos o teu cartão. Seguirei breve para Guaratinguetá. De lá te escreverei então mais longamente. Manda-me para lá o livro a que te referiste. ― E se acaso tiveres de ir ao Rio, previne-me com antecedência de uns 8 dias porque seguiremos juntos. ― Adeus. Lembranças a todos, e creia no amoamº. e admoradm<sup>or</sup>.
 
<p>Euclides
<p>Saúdo-te.
<p>Respondo a tua carta de 23 agradavelmente recebida neste quieto remanso de Lorena ― onde está armada a minha tenda, provisória sempre. E não te preciso dizer que a li com profundas saudades do excelente companheiro das muitas horas do humorismo triste aí nesse S. José que nunca esqueço. Contra o que esperava, porém, esse sócio no desfilerar a talhos de ironia o nosso reles mundozinho político ― surge-me chefe! E chefe derrotado, afirma, esquecendo-se de que cai numa redundância tremenda, porque vencidos somos nós todos. Neste país não há mais vitórias… Derrota e esborrachamento em toda a linha, de Cucuí à Lagoa dos Patos! Felizmente nas entrelinhas da tua carta vejo-te o mesmo ― o mesmo fino psicólogo, ligeiramente ferino e sutil, incapaz de se enlear nos fiapos das preocupações eleitorais. Ainda bem.
<p>Porque afinal, és como eu, um dissidente. Dissentimos, antes da cisão, de tudo isto ― e nenhum de nós se pode escravizar a uma bandeira, porque a nossa oposição tem motivos superiores aos considerados vulgaresdosvulgares dos manifestozinhos que por aí expluem.
<p>Não estamos em campos opostos, como dizem. E a razão é que não és homem para romper com uma solidariedade espiritual, dominante, naturalmente, sobre quaisquer outras ordens de idéias. E se como eu, pensas que somos desventurados […] numa farsa lastimavelmente triste; e julgar como eu julgo, que este país é organicamente inviável; e se, comigo chegaste ― rigorosamente, como no final de um teorema ― à conclusão desanimadora de que chamamos política a uma grande conspiração contra o caráter nacional ― se tudo isto é exato, estamos ainda formados, juntos, na mesma linha avançada e superior dos céticos que ao menos não terão desapontamentos ou desilusões.
<p>Mas… nem sei por onde vou escorregando nesse extravagar terrivelmente metafísico. É bom parar.