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654 bytes adicionados ,  03h19min de 6 de maio de 2006
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{{navegação
|obra=Bem sei, Amor, que é certo o que receio
|autor=Luís Vaz de Camões
}}

:Bem sei, Amor, que é certo o que receio;
:mas tu, porque com isso mais te apuras,
:de manhoso mo negas, e mo juras
:no teu dourado arco; e eu to creio.


:A mão tenho metida no teu seio,
:e não vejo meus danos às escuras;
:e tu contudo tanto me asseguras
:que me digo que minto, e que me enleio.


:Não somente consinto neste engano,
:mas inda to agradeço, e a mim me nego
:tudo o que vejo e sinto de meu dano.


:Oh! poderoso mal a que me entrego!
:Que, no meio do justo desengano,
:me possa inda cegar um moço cego!

[[Categoria:Luís Vaz de Camões]]