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O Livro de Esopo por Esopo
XXXVI - O camponês e o filho
Transcrição e Notas de Leite de Vasconcelos. Vid. também O Bezerro e o Labrador, traduzida por Manuel Mendes da Vidigueira.


XXXVI. [O camponês e o filho]

[P]om ho poeta emxemplo e diz que hũu ffilho de hũm burgês ssenpre fazia comtrayro do que lhe sseu padre emssynaua.

O padre nom ho podia castigar, e hũu dia tomou hũu paao ssem porquê, e firio hũu sseu seruo na pressença de sseu filho. O ffilho, veendo tam ssem porquê espaancar este sseruo tam cruellmemte, estaua com gram medo. Depoys preguntarom ao burgês porque /       [Fl. 27-r.] feria o seruo ssem seu mereçer; disse o burgês (que era homem amtijguo e discreto) que o boy pequeno aprende de arar do gramde, e quem quer castigar o leom ffere o cam: — e por tamto eu nom quero fferir meu filho, porque ja per fferidas nom ho posso castiguar, mays ffery o meu seruo, porque elle aja medo e tome emxemplo.





Per este emxemplo o poeta nos amostra e diz que nós deuemos auer maneira com discriçom nos nossos emssynos e castigamentos; e o padre deue castiguar sseus filhos com palauras e boos emxenplos; quando vee que com fferidas ho nom póde castiguar, e que o pequeno deue tomar emxemplo do gramde. E elle ffoy d’ello louuado.