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Senhor Manducca


O velho fazendeiro João de Oliveira Muniz Manducca estava em pé escorado em um poste do portão de seu pátio e olhava distraidamente rua abaixo, banhada de sol. Ele ainda era um homem da velha escola, segundo a qual no Brasil ainda reinava o respeito e a cortesia entra as pessoas; não como hoje, que os jovens imaginam poder permitir-se tudo.

Seu olhar aguçado observava um ponto que lentamente se aproximava. Era um homem a cavalo. Manducca reconheceu primeiro a marcha do cavalo, ainda antes de poder distinguir bem o próprio cavalo, então reconhece as cores e estatura, e por fim, ele viu também a criatura secundária que estava sentada em cima. O cavalo tinha uma "marcha trotteada" muito boa, era um tobiano, os arreios guarnecidos com alpaca e o homem a cavalo parece vindo de uma das cidades; pois seu traje era tão elegante, seu rosto tão pálido, seu olhar tão sem interesse e voltado para a frente que o mesmo não pareceu nenhuma vez observar o senhor Manducca que continuava alto e magro escorado no portão de seu pátio. "Desculpa senhor", falou Manducca e ficou parado a três passos e meio em frente ao cavalo; "teria a grande bondade de me deixar experimentar um momento?" o forasteiro puxou as rédeas e olhou admirado para o rosto curtido pelo sol do interlocutor; mas ele deve ter lido algo no olhar fixo, de modo que pareceu-lhe aconselhável atender seu pedido de livre e espontânea vontade; também a bela pistola de caça de cano duplo que o solicitante carregava no cinto fez parecer conveniente não causar transtornos. Lentamente o homem desceu do cavalo e deu as rédeas ao velho. Este num instante sentou na sela e sob sua mão hábil o cavalo saracoteou