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Fanáticos em São João


“Fanáticos em São João!”, berrou meu ajudante, abrindo com violência o meu escritório e permanecendo parado na porta com o gorro ainda na cabeça, a enorme boca de mulato escancarada, os braços estendidos e os dedos das mãos esticados.

“Você não quer ter a bondade de fechar a porta e tirar esse gorro?”

“Sim, mas os fanáticos...”

E então um movimento autoritário para a porta fez com que ele a fechasse e tirasse o gorro, mas daí começou a tagarelar que agora os fanáticos estariam falando sério e teriam enviado uma declaração dizendo que fuzilariam todos os soldados, tomariam a cidade de Porto, onde nos encontrávamos, converteriam todos nós à sua crença e quem não se deixasse converter também seria fuzilado.

Eu disse-lhe que “nós da ferrovia” não precisaríamos temer nada por enquanto e quando chegasse o momento deixaríamos nos converter por uns oito dias, até os fanáticos serem expulsos.

“Mas seu Roberto! O senhor não sabe que cada um que foi convertido é posto na linha de frente quando o tiroteio começa. Para que eles possam ver se a conversão ainda permanece!”

Este era, com certeza, um desagradável meio de provar a autenticidade da fé! Mas eu zombei do meu auxiliar, pois por enquanto os fanáticos ainda faziam uma propaganda pacífica da sua religião maluca. Mas parecia que a coisa tinha tomado uma cara totalmente diferente agora, até porque quando o capitão Matos Costa entrou na minha sala, ele pode confirmar o relato do meu ajudante, ainda que de uma forma um pouco diferente. E