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86 | 40 anos no interior do Brasil: aventuras de um engenheiro ferroviário

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Cavalgada Perigosa

Os fanáticos haviam ocupado o território entre os estados de Santa Catarina e Paraná. O governo havia mandado tropas e haviam ocorrido lutas. Havia feridos e mortos dos dois lados. Foi então que aconteceu algo muito estranho: Ambas as partes recuaram: as tropas a fim de se preparar melhor para a guerra na selva, os fanáticos por medo das tropas; pelo menos era isso que se acreditava.

Alguns homens voltaram da região das nascentes do rio Timbó, a qual tinham atravessado a cavalo sem encontrar ninguém; só viram casas queimadas e plantações destruídas. Havia diminuído o número dos urubus, que costumavam acompanhar em bandos as lutas no interior do país, para comer os restos de animais abatidos e os corpos de homens moribundos ou já caídos na macega. Os fanáticos denominavam a si mesmos de santos. Tinham o desagradável costume de matar os presos que haviam lutado contra eles. Cumpriam cegamente as ordens de seu messias e das virgens por ele declaradas como consagradas, que tinham visões e decidiam sobre a vida e a morte através de seus sonhos.

Em Porto da União vivia um velho fazendeiro que fugira dos fanáticos e deixara sua fazenda, seu gado e todos os seus pertences nas mãos deles. Ao ouvir que os homens também não haviam encontrado ninguém na proximidade de sua fazenda, decidiu andar a cavalo até lá, para buscar alguns objetos de valor que enterrara perto de sua casa. Montou assim em seu cavalo, conduzindo pela guia uma mula de albarda e iniciou seu passeio de madrugada. Durante seu caminho não topou nem com homens, nem com rastros de homens. À noite chegou em casa, desenterrou os objetos e carregou sua mula.