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Estereis, nem as últimas ruinas,
Nem as ermas planícies, nem aquelle
Morno silêncio da região que fôra
E que a historia de todo amortalhara.
Ó torrentes antigas! aguas santas
De Cedron! Ja talvez o sol que passa,
E ve nascer e ve morrer as flores,
Todas no leito vos seccou,[1] em quanto
Estas murmuram placidas e cheias,
E vão contando ás deleitosas praias
Esperanças futuras. Longo e longo
          O devolver dos seculos
Sera, primeira que a memoria do homem
          Teça a mortalha fria
Da região que inda tinge o albor da aurora.

  1.     Gedron, como se sabe, é o nome da torrente que atravessa o valle de Josaphat. Le-se em Chateaubriand que durante uma parte do anno fica sêcca; por occasião de temporaes ou nas primaveras chuvosas rola umas aguas avermelhadas.