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FANTINA

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Afinal lembrou-se do pae Joaquim.

Qualquer raiz venenosa que martyrisasse por muito tempo, era o que Rosa queria ; não desejava matar a senhora do primeiro golpe. Iria destruindo-lhe a vida paulatinamente.

Ao cabo de alguns mezes ou annos arrastados pela via dos soffrimentos atrozes, que se apagasse a luz da lampada funesta.

D. Luzia usava á sobre-mesa comer sómente doce de cidra ; por isso ao lado das muftas iguarias estava sempre uma compoteira destinada a ella. Gostava do sumo forte que apertava o paladar. Por ahi achou Rosa porta larga, de uma largura feliz, onde passariam os corrossivos mais destruidores.

Consultando ao pai Joaquim, conhecido pela alcunha de Feiticeiro, elle impoz como condição, que Rosa lhe desse duas camisas de flanella.

O pai Joaquim era um typo africano dos mais repugnantes ; sem dentes, de beiços muito cahidos e grossos, pernas tortas e pés de uma deformidade phantasiosa.

Este negro era na fazenda rodeado de prestigio tal, que temiam-lhe até o olhar, que segundo diziam, fazia cahir o cabello e apodrecer as unhas. A habilidade de applicar os venenos scepticos elle a possuía em alto gráu.

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