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FANTINA

—Como ha de ser então ? Nhê-nhá tão nervosa e doente sabendo disto é capaz até dar-me pancada, tia Rosa ! Ella estima muito aquelle estojo, e ainda mais a chave que foi feita com ouro tirado pelo pai della quando garimpeiro na Bagagem.

—Socega, menina ; o unico remedio possivel é mandar fazer outra.

—Não tem tempo, porque amanhão ou depois ella póde precisar das pulseiras e dos brincos. E demais, quem me havia de arranjar isso ?

E continuava soluçando.

—Pois então vá pedir a sinhô Frederico a que elle tem, que talvez sirva.

—Mas como hei de obtel-a nas mãos para experimentar ?

—Nada mais facil,—continuou Rosa,—vá onde elle está, e logo que você pedir elle dá.

—Não ! tenho muito medo delle ; aquillo que você me fallou é muito feio ! porque eu quero me casar com Daniel que me estima tanto !

E a voz lhe sumia entre o soluçar convulsivo.

Fantina era forte na musculatura, mas impressionavel como a flôr tirada da sombra e exposta aos raios lubricos do sol tropical.