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FANTINA

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—Desta maneira nada você arranja. Vá pedir, e se elle exigir alguma cousa em paga, e se você não der já, ao menos prometta ; senão elle vê que é por causa de Daniel e póde mandar leval-o para soldado.

Depois de muitos acoroçoamentos Fantina resolveu ir pedir a chave ao senhor.


D. Luzia tivera um accesso e foi deitar-se.

Frederico esteve pelo quarto, e afinal sahiu assobiando uma mashurka que aprendera com a Joaquininha.

Fantina indo ter cora sua senhora, esta mandou-lhe buscar ao jardim umas folhas de malvas para banho.

Uma fachada de luz bruxuleante partindo das senzalas é que punha um lusco-fusco triste lá pela varanda. Corria pelo ar um magnitismo dormente de envolta com as baforadas mornas do sol da tarde. Fantina vio Frederico debruçado á um canto da varanda ; quiz voltar e mandar outra apanhar as folhas. Lembrando-se, porém, da chave teve animo para lutar e chegou. Apanhou as primeiras folhas que encontrou ; approximou-se de Frederico, e narrou-lhe o occorrido.

—Dou a chave Fantina, que ha de servir, mas quero que você me dê uma cousa.