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FANTINA

Ella quasi fugiu correndo, mas a mão possante de Frederico deteve-a. Um grito de susto escapou-lhe da garganta.

—Gosto muito de você, Fantina. Hei de um dia casar o Daniel com você.

E segredando-lhe uma palavra, ella tremeu da cabeça aos pés como se fôra batida por duas desencontradas cargas electricas. Fantina nesse momento viu o grande e phantasioso castello de seus desoitos annos sadios, edificado com risos e temores, esperanças e beijos quentes, ruir.

Frederico não podendo dominar-se, agarrou-a fortemente pelas mãos, e cingindo-a ao peito, imprimiulhe na face que abrazava, beijos absorventes, devoradores, onde derramou toda a ancia animal de sua natureza potente.

Fantina quiz gritar ; elle largou-a temendo que D. Luzia soffresse mais no seu physico arruinado.

Quando Fantina deu fé de si, sentiu na mão um objecto frio : era a chave. A lera depois de ter sentido o gosto do sangue da preza, e de apalpar-lhe as entranhas trementes, soltou-a.

Em outra occasião, porém, ella esperava embebedar-se das fragancias macias daquella rosa de Jericó, candida e avelludada como o lyrio de Geslaad.