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FANTINA

tear. Despida e amarrada ás argolas de um caixão, Fantina mostrava serenamente as carnes que ainda conservavam os fogos da puberdade. Das pernas cobertas de um feltrezito avelludado e das cheias nadegas, voavam fragmentos de carne como pedacinhos de algodão que caem das bordas da corda. Gemia só, por que tinha a bocca tapada com um lenço. E quando pelos movimentos convulsivos do corpo, que parecia fugir á proporção que a garra do couro descia, o lenço deixava aberto um canto da bocca, sahia este grito entrecortado :

— Nhé-nhá, eu sou innocente !

A senhora encostada á parede, dizia que antes tivesse feito á Fantina o que sua avó fizera a uma escrava que incorreu no mesmo crime. Essa escrava, dizia ella, foi amarrada pelos pés aos galhos de uma arvore, ficando com a cabeça no chão; depois despejaram-se três ou quatro alqueires de milho ao redor, e soltaram a porcada que estava presa a cinco dias. Em menos de um quarto de hora só se via o corpo da cintura para as pernas.

Emquanto esteve ao alcance do focinho dos animaes, viam-se os entestinos puchados como um fio de linha de um novello.