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FANTINA

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Fantina esteve de oratório oito dias. Esperavam todas as tardes quando Frederico sahia a passeio e reproduziam as scenas da escravidão. Depois Frederico soube e quiz salva-la. Abriu contra a vontade de D. Luzia a porta do tear e cortou as cordas que apertavam os pulsos sulcados por uma ferida azulada.

Martyrisada, sem se alimentar, com as faculdades mentaes meio alteradas, Fantina apresentava o aspecto de umu machina, Não teve uma palavra para Frederico quando elle acabando de cortar as cordas deu-lhe um beijo nas faces pallidas e macilentas. D. Luzia teve impetos ferinos ; e revolvendo-se no leito, parecia um cadaver rompendo com a mão mirrada o sudario apodrecido pela humidade da sepultura. Frederico não tornou a entrar no quarto da enferma. D. Luzia, meia hora antes de morrer, vendo Fantina perto do leito,inda ponde quebrar-lhe a cabeça com um vidro de bromureto de potassium.

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O Zé de Deus, depois de acompanhar o enterro da comadre, entrou na taverna do Roberto e disse :

— Foi a minha bôa comadre para o outro mundo ; e quem a mandou fui o Frederico. Me despresou. Morreu, e elle agora vae botar o Ingaseiro fôra.

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