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FANTINA

I

Era meio dia.

Uma calma intensa produzia amollecimentos voluptuosos. O vasto terreiro da fazenda era de terra massa-pé, e com o refrangimento do largo sol, que cahia dos telhados das sensalas parecia a abobada de um forno. Pombas mansas arrolavam tristemente lá por baixo do sobrado. Com grandes barulhos os cevados estiravam a barriga colossal na água que corria ao longo do chiqueiro. A quebreira tornava-se abafadiça. A fazenda estava quieta, n'um reposo pacato ; as varandas desertas. Lá pelos lados de traz ouvia-se a cantiga monota d'uma velha africana que pilava café no engenho ; e mais confusamente percebia-se o chiar d'um moroso carro de bois que subia o morro de leste. D. Luzia, estirada na cadeira que estava no canto do quarto, lia preguiçosamente o Jornal do Commercio.