Página:Fantina- (scenas da escravidão).pdf/22

18

FANTINA

as crioulas que chalaceavam passando pela rua na direcção do castello, que apparecia, borrando o horisonte, lá ao longe, na parte mais alta da cidade.

Que calor, senhora comadre ! E' ueste tempo que me lembro do meu Alem-Tejo.

D. Joaquina foi ao piano e começou de tocar o Sabià, que ella estropeava soffrivelmente. A sombra da tarde quente entrava na sala ; e as arvores ramalhudas d'uma quinta em frente volviam de manso as folhas como beijos susurrantes da viração rara.

Pediram luz.

O Zé de Deus preparava-se para sahir. D. Joaquina ainda tocou para elle um batuque muito de sua paixão.

— Vou á casa do Roberto ver se chegaram umas encommendas.

Dictas essas palavras, retirou-se fazendo barulho na escada.

Esse Roberto de que elle fallou era um portuguez fallido trez vezes ; um ratoneiro que esteve cora o negocio fechado por mais de seis anuos, sem meio de vida conhecido. Batia na pobre mulher, fazia medo ás filhas e punha os filhos p'ra rua. Agora com a amizade do patricio ia acreditando-se, porque o Zé de Deus tinha unia bôa fazenda. Terras uberrimas, alguns