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V

Depois de chegados á fazenda do Ribeirão Frederico não estava bem, porque o Zé de Deus queria serviço e elle era da pandega. Demais, as ridicularias do dono da casa o enjoavam. A' hora do jantar via-se na ponta da mesa um prato de bananas, e tres somente, visto ser esse o numero das pessoas que tinham de jantar : o Zé de Deus, Frederico e um feitor. Um dia o portuguez ia brigando, porque Frederico comeu duas das fructas. Foi o diabo. O Zé de Deus alevantou-se e foi á despensa, e como não encontrasse mais bufou, e deixou o Antônio da Chica fazendo cruz na bocca.

O que continha Frederico neste centro de privações era a esperança de realisar um plano gigante. Foi um domingo passear á fazenda de D. Luzia, e lá, emquanto ella mostrava curiosidades ao compadre, Frederico contava os bezerros nascidos, olhava os pastos e tomava o numero dos escravos. Sondava tudo com a profundeza arguta de um moderno observador. Depois