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FANTINA

de muitas indagações interesseiras e de volta ao outro dia, perguntou ao Zé de Deus :

— Esta familia parece gente arranjada, não, senhor Zé de Deus ?

— Não é só arranjada,seu Frederico ; é rica e continua augmentando os cabedaes.

E nestas cendições chegaram ao Ribeirão.

Notou-se em Frederico desde esse dia uma certa alegria biltre ; ria, cantava e fazia gemer as velhas cordas de um violão. Contava pilherias salobras ao Zé de Deus; — estava nos ares, o frascario.

Sempre que lhe era possivel ia passear ao Ingaseiro, e não perdia missa em que fosse D. Luzia e as quatro mucamas—mulatinhas frescalhonas. Aos poucos foi se introduzindo, e tomou terreno como a gotta d'agua que ao de leve se entranha no barranco até esborsa-lo. Frederico começou de passar semanas inteiras sob os telhados do Ingaseiro, recebendo certo tratamento familiar da parte de D. Luzia.

Quem ia ao quarto delle levar o café da manhã, era uma velha mulata, a Rosa. A's veses eram oito horas quando a rapariga batia na porta e annunciava-lhe o café. Mesmo em ceroulas elle dava entrada á bandeija. Sentado na borda do leito atrapalhado, ia mexendo o assucar, emquanto Rosa parecia escovar o ventre com