Página:Fantina- (scenas da escravidão).pdf/29

FANTINA

25

a quina da bandeija. Lá comsigo o antigo da Silvestre pensava no mau gosto da casa a respeito de serventes; pois havendo na fazenda tanta gente limpa, mandavam-lhe uma mulata maior de quarenta annos, magra, muito alta, com um lenço de chita cheio de ramagens vermelhas atado á cabeça em forma de gorro de marujo ; saia de algodão de S. Catharina, tinto de candoá.

— Então, tia Rosa, como passou esta noite a sra. D. Luzia ?

— Ella passou bem, meu sr.; todos passaram bem, graças a Deus.

— E' o que serve, é o que se quer, tia Rosa.

Mesmo em mangas de camisa abria a janella do quarto, a qual dava para o lado do rio, que depauperado pela secca, rolava a sua corrente com um som gemebundo e apaixonado, como que se recordando das selvas intrincadas que outr'ora pousavam-lhe as margens de gritos selvagens. Hoje suas ribas silenciosas tinham o aspecto desolador de um peito vasio de esperanças.

Frederico saboreando um explendido cigarro do Pomba olhava as janellas que lhe ticavam em linhas paralellas. O ar muito puro e doce de uma manhã azulada fazia-o respirar prasenteiramente, paxorrenta-