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FANTINA

mente. No terreiro proximo os curraleiros tiravam leite. Os bezerros quebravam a monotonia daquellas horas com balidos famintos, que troando no ar como os accentos de uma lamentação recalcada, iam morrer no sopé do morro do leste. Em outro terreiro viam-se os bois de carro já presos pelas pontas ; e mais alem, fóra das porteiras, em cima d'uma cerca, um negro de quiçamba ao hombro, gritava os porcos do pasto. E oquelle culé, culé, do porqueiro attrahia a attenção de Frederico que achava poesia nesse rudimento de civilisação. Depois elle passava á varanda da frente. D. Luzia n'outra varanda, logo que o percebia convidava-o para entrar. Alli, ella assentada e elle encostado ao para-peito, iam olhando-se com certos cuidados. Frederico com uma das mãos machucava as folhas de uma catinga de mulata, qne sahia fóra do caixão de pedra. O aroma sensual da planta exhalando, fazia pensar no seu homonimo. D. Luzia fallava de uma e de outra flôr ; e lá em um canto dava-lhe um raminho significativo que elle agradecia dizendo :

— E' sempre com immenso prazer que de vossas mãos recebo qualquer coisa !

Ella sorria a estes dizeres pelintras. Nesta occasião entrava o Juca que convidava Frederico para depois do almoço irem passear á roça. Frederico aceitando o