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FANTINA

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—Mas, seu Zé de Deus, o Jucá não ha de consentir, porque o homem é desconhecido e muito bandalho. Se ella soubesse o que elle fez na noite da festa do Divino, em casa da Manoela, com uma sucia de marchadeiras, o Jucá e ella não quereriam.

—Mas como foi o caso ? perguntou o Zé de Deus abrindo muito os olhos.

—Eu lhe conto. Havia muitos dias que elle ia á casa das sujeitas, e depois do castello queimado ajuntou-se lá com o tonico da Sombra, o Antônio Caetano e outros. O senhor sabe . . . e muitas mulheres da roça que tinham vindo ver a festa, tambem se achavam lá. Seu Frederico pintou ! Agarrou n'um pinho e fez bravuras . . . Cantando, dando umbigadas de rechar, e sapateando, berrava o

Eu puz o meu boi na serra

E virou vacca parida ;

Agora nem boi nem vacca,

Nem com que trate da vida.


Cantarolou muito... e deu até abraço em mulheres casadas !

E benzia-se o Daniel, engradando a cara com meia duzia de cruzes.

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