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XIII

O Zé de Deus esteve a noite sem poder dormir, anciado, muito calor — dizia.

Alevantou-se, abriu a porta do quarto que dava para uma varandinha.

Umas cangalhas que á tarde foram atalhadas, alli estavam derramando no ar um cheiro relentado, nauseabundo. Voltou, fechou a porta e atirou-se sobre uma esteira, no chão.

— Que não aguento este calor das caldeiras do inferno ! Antes no meu Portugal lavando latrinas, como um sapo. O maldito vinho foi demais, e o vatapá tambem.

As pulgas que começaram a morde-lo, o calor, o cheiro irritante das cangalhas ainda humidas do sangue das mata darás e do suor, faziam-o desesperar.