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FANTINA

« Minha comadre, o negocio cuja importancia me obrigou a dizer-lhe a presente, é magno ! isso juro pelas cinzas do mestre que me ensinou a ler e escrever, sem o que seria um burro.» Frederico ria torcendo o bigode violentamente e cravava os olhos no semblante de D. Luzia.

« Como minha comadre sabe, eu quando vinha de Sorocaba com a mulada, encontrei no arraial do Rabicho um homem que me fez certo serviço, que não posso deixar de reconhecer ; mas esse mesmo homem é o Sr. Frederico que mora em sua fazenda. Eu não sou homem interesseiro. Quero é fazer com que a comadre fique com a pulga atraz da orelha ; porque outro dia nada lhe convenceu. Hoje, porem, em vista do que vou contar, ninguém duvidará da verdade. A comadre me refusou para marido—o que nunca esperei—porque sou um homem solteiro. E isto só para gostar do Sr. Frederico, que não tem haveres, como eu, e é um desconhecido. Este Sr. Frederico é jogador e barganhista ; aqui mesmo elle já passou uma manta no José da Trindade, ficando com quatro éguas por um burro velho e manhoso, e também já ganhou ciucoenta mil réis do Sancho da venda.

« Na noite da festa do Divino esse senhor pintou o sete e rebocou e Simão !