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'Stou costumado a que escarneçam homens
Daquillo que nem mesmo entender podem,
A que do Bello e Bom, que tantas vezes
Tão pesados lhes são, murmurar ousem;
D'isso resnar pretende o cão como elles?

 

Mas ai! que já com a melhor vontade,
Me não sinto manar a paz do seio.
Porque ha de seccar tão cedo a fonte
E ficarmos de novo ardendo em sêde?
Tanta exp'riencia d'isto temho tido!
Mas esta falta pode ressarcir-se |,
O sobrenatural então prezamos
E de revelação temos cubiça,
Que em livro nenhum tão pura brilha
Como no Evangelho. Vivo impulso
Me leva a compulsar o sacro texto
- E o santo original, com sentir puro,
A trasladar no meu allemão charo.

 

(Abre o volume e prepara-se para escrever)

 

«No principio era o verbo» vejo escripto,
E aqui já tropeço! Quem me ajuda?
Tão alto sublimar não posso o verbo,
Devo d'outra maneira traduzil-o.
Escripto está, se o espirito m'inspira,
Que no principio era o Pensamento.
Medita bem sobre a primeira linha,