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para obterem o mesmo fim, não haviam poupado esforços. Segundo se dizia, D. João iii estava persuadido de que o pontífice accedera ás sollicitações de Duarte da Paz, sem as necessarias informações, por peitas que recebera, e a elle proprio nuncio dava mostras de lhe ser odiosa a sua estada em Portugal[1]. Terminava o bispo de Sinigaglia recapitulando todos os escandalos que se tinham practicado nesta materia, e aconselhando o procedimento que ácerca da execução da bulla se devia ulteriormente seguir.

Com a chegada do arcebispo do Funchal a Marselha, a ira, que no animo de Clemente vii deviam ter produzido as informações de Marco della Ruvere, parece haver abrandado. Ou que o embaixador, compellido pelas instrucções que em fim recebera, procedesse com mais energia, ou porque se empregassem meios occultos para tornar propicias algumas influencias poderosas na curia, é certo que o papa conveio a final em ceder, quanto á prompta

  1. «Rex... credens, ut dicebatur, dementem de hujus modi negotiis nom informatum, pecunia tantum motum, veniam prædictam concessisse... nuntu pæsentiam ostendebat abhorrere»; l. cit, f.32.