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Cartas do Estrangeiro que visitou em França o Panthéon, «edifício destinado a Santa Genoveva, patrona de Paris»!... e mais abaixo, falando do nosso ministro ali: «é um dos mais esclarecidos e honrados representantes que temos no estrangeiro, e cuja espécie fora bem útil reproduzir para honra do País...» E boa, não é? — comentou, rindo.

Porém, malévola, a baronesa:

— Que sensaboria!
— Achas?
— Decerto — confirmou ela num revirar de olhos azedo.
— Nem sei para que te incomodas a ler-me isso... — E logo, na previsão do que ia passar-se, para o criado: — Vá almoçar.
— Cuidei que te interessasse... — aventurou o marido.
— Supões-me mais idiota do que sou.
— O filha, não é isso! — afagou o barão com a mais afetuosa bonomia. — Que te interessasse como episódio cómico, simplesmente, como assunto para um bocado de troça, para brincar, para rir.
— Bem! não faltava mais nada. Agora chamas-me criança! — explodiu ela com vivacidade, enquanto arrastava para longe, num sacão de arremesso, a chávena de cujo chá bebia os últimos goles.

Desta vez o barão, posto em prova, afastou da mesa o tronco, alto e direito, e cravou na mulher um severo olhar de reprimenda. Mas ela, de cotovelo fincado sobre a toalha, franzir desdenhoso nos lábios, a mão cocegando a ponta da barba num jeitinho impertinente e raivoso, pôs-se a fitar com altiva insolência uma das rosetas do teto e a fustigar o parquet num