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ronda muito a porta... E ela, ao que parece, não lhe faz má cara...

— Ah! nesse caso é deixá-los lá arranjar a vida!

— É melhor, é! Creio até que com ele será mais fácil qualquer transação...

— Então não falemos mais nisso! Está acabado!

— Pois não falemos!

Mas no dia seguinte voltaram à questão:

— Homem! disse o vendeiro; para decidir, dou-lhe quinze!

— Vinte!

— Vinte, não!

— Por menos não me serve!

— E eu vinte não dou!

— Nem ninguém o obriga... Adeuzinho!

— Até mais ver.

Quando se encontraram de novo, João Romão riu-se para o outro, sem dizer palavra. O Botelho, em resposta, fez um gesto de quem não quer intrometer-se com o que não é da sua conta.

— Você é o diabo!... faceteou aquele, dando-lhe no ombro uma palmada amigável. Então não há meio de chegarmos a um acordo?...

— Vinte!

— E, caso esteja eu pelos vinte, posso contar que...?

— Caso o meu nobre amigo se decida pelos vinte, receberá do Barão um chamado para lá ir jantar ao primeiro domingo; aceita o convite, vai, e encontrará o terreno preparado.