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leviana parecia disposta a reincidir na culpa, dando corda aos caixeiros do marido, na ocasião em que estes subiam para almoçar ou jantar.

Foi por isso que o Miranda comprou o prédio vizinho a João Romão.

A casa era boa; seu único defeito estava na escassez do quintal; mas para isso havia remédio: com muito pouco compravam-se umas dez braças daquele terreno do fundo que ia até à pedreira, e mais uns dez ou quinze palmos do lado em que ficava a venda.

Miranda foi logo entender-se com o Romão e propôs-lhe negócio. O taverneiro recusou formalmente.

Miranda insistiu.

— O senhor perde seu tempo e seu latim! retrucou o amigo de Bertoleza. Nem só não cedo uma polegada do meu terreno, como ainda lhe compro, se mo quiser vender, aquele pedaço que lhe fica ao fundo da casa!

— O quintal?

— É exato.

— Pois você quer que eu fique sem chácara, sem jardim, sem nada?

— Para mim era de vantagem...

— Ora, deixe-se disso, homem, e diga lá quanto quer pelo que lhe propus.

— Já disse o que tinha a dizer.

— Ceda-me então ao menos as dez braças do fundo.

— Nem meio palmo!

— Isso é maldade de sua parte, sabe? Eu, se faço