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Caíra em grande abatimento de espírito. Encarara como devia o seu inqualificável procedimento, inspiração do demônio. Sentira a necessidade dolorosa duma penitência severa, proporcionada ao pecado mortal em que abismara a alma. Exagerar mesmo a gravidade da culpa, e nas largas insônias daquelas três noites magras, a fome causara-lhe alucinações terríveis, que dificilmente o seu organismo de matuto, acostumado à alimentação abundante, podia dominar. Persuadira-se de que já estava condenado ao inferno, e ficara horas inteiras, hirto e pálido, sobre a esteira que lhe servia de cama, sentindo um suor frio correr-lhe pela fronte, quando a idéia da morte a surpreendê-lo em pecado mortal vinha assaltar-lhe a mente enferma. Recordara, outras vezes, as descrições que lera das penas do inferno, dos suplícios tremendos que aguardam os condenados, e sobretudo, a idéia da eternidade dos castigos apavorava-o a tal ponto, que se pusera a menoscabar os espantosos padecimentos