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não lhe faltaria assunto, graças a Deus. Sabia tudo que se passava em Silves, sem necessidade de espiar, nem de indagar da vida alheia. Contavam-lhe, sem que nada perguntasse.

Podia referir-se ao José Antônio Pereira, que passava por moço de muito bons costumes, mas tinha lá as suas mazelas em casa. Podia contar que o Neves Barriga tinha um serralho no sítio do rio Urubus, e que por isso não queria saber da vila, onde o chamavam os seus deveres de camarista. Que o Valadão, o subdelegado, prendia por dinheiro os negros fugidos, fazendo-se capitão-do-mato. 0 fiscal merecia bem boas sovas pelo estado das ruas que a Câmara o incumbira de zelar, e sem sair das raias do interesse público, que ele, como escritor público, devia e podia superintender, tinha muito que dizer da Câmara, e especialmente dum certo vereador João Carlos, que estava quase sempre na presidência, porque o Neves não gostava de deixar o serralho.