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negro, das paredes úmidas, dos móveis, das roupas, dos contornos de todos os objetos, dos quadros parietais, dos gestos dos personagens, da sua fisionomia dura e chata de figuras malfeitas, vinha como uma emanação de tédio, que ia subindo, espalhando-se pela casa, e depois saía pela janela, para lançar-se sobre a vida toda, estúpida e molhada.

Fidêncio abriu os braços, retorceu-os num espreguiçamento, vergando o corpo para trás, desarticulando as mandíbulas num longo bocejo, e deixou escapar um grito agudo e prolongado que cortou de chofre o silêncio do dia. Na casa fronteira abriu-se um pouco a janela de pau pintada de azul, e pela frincha estreita, uma mulher espiou, curiosa.

A Maria Miquelina, equivocando-se, gritou da varanda:

- Já vai, já vai, seu Chico, tenha um mocadinho de paciência.

- Ah, o café! disse o Fidêncio, sorrindo.