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O Cazuza Bernardino tinha estereotipado nos lábios um sorriso à-toa. O tenente Valadão, de faixa a tiracolo, encostado a um pilar, reprimia

a tosse. O Neves, muito vermelho, chorava como uma criança, assoando-se ruidosamente.

O padre, então, falou ao coração compassivo daqueles roceiros, como já falara à imaginação daqueles filhos do Amazonas. Parecendo gozar a satisfação completa do triunfo, adoçou a voz, terno e compassivo, e disse daquele divino Jesus, pendurado da cruz do sacrifício, entre dois criminosos, com o belo corpo chagado e dolorido, com a fronte cismadora inclinada ao peso dum incomparável martírio, com os braços abertos como para exprimir o imenso amor que dedicara à humanidade, morrendo como um bandido duma morte afrontosa, injuriado, cuspido, açoitado como um negro, amesquinhado na sua pessoa e na sua obra, tudo para remir da mácula do pecado original aqueles tapuios imbecis, aquelas mulheres apáticas e moles, aqueles homens