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rosto refletia, como num mármore polido, os sentimentos que se sucediam no largo peito, arfante sob a sobrepeliz de rendas brancas. Os olhos brilhavam-lhe com o fulgor da cólera, depois aveludavam-se, ameigavam-se para acentuar as palavras doces que saíam dos lábios, depois, ainda, fixos, grandes, encarando entes ou cenas invisíveis, tinham a profundeza escura dos abismos... A boca severa, convulsa, dizia maldições, ameaças e castigos, mas logo desatava-se em murmúrio brando, semelhante ao ciciar da brisa das campinas, em que se ouvem o ruído leve das folhas levadas pelo vento e um vago som de beijos. A sua alta estatura impunha-se à multidão. Da elevada posição em que se achava parecia ter baixado do céu para castigar os maus e abraçar os bons. Dizia de novo o martírio, a angústia de Maria Santíssima, a ingratidão dos homens, o terrível nada do mundo. Tinha orações que açoitavam, que faziam o auditório vergar-se como árvores batidas pelo tufão do sul, ditos que