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horror e lástima. Do teto, suspensa por compridas e finas correntes de ferro, uma grande lâmpada de azeite, fracamente iluminada, pendia em frente ao altar-mor, projetando uma sombra esguia sobre o pavimento da igreja, e quando o vento que entrava pela porta lateral da sacristia, a balançava de leve, a sombra varria o povo ajoelhado, impressionando as velhas beatas assustadas. O calor aumentava, o suor banhava as frontes, era enorme a opressão dos peitos. O pregador pôs-se a falar na eternidade, nessa terrível concepção que abala os corações mais fortes e confunde os espíritos mais lúcidos. E quando pronunciava em voz grave e lenta as palavras - Para sempre! Para sempre! parecia que a sua voz acompanhava o pêndulo invisível do tempo no eterno e monótono balanço. Depois, por uma transição rápida terminando o discurso, disse que a misericórdia divina era infinita e convidou o povo a dizer com ele a oração dominical na esperança de abrandar a cólera celeste.