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vida, o seu fim, a sua salvação. Amara-a doida e apaixonadamente, e desde logo esse amor dera-lhe a convicção profunda e inabalável de que não poderia viver sem ela. Não exagerava, não estava louco, não se tratava de criançada, como lhe haviam dito os amigos. Debalde o pai, o irmão e os amigos haviam tentado afastá-lo da rapariga, ridicularizando aquele namoro de criança, metendo à bulha a sua paixão ardente, censurando-a e punindo-a por fim. Tudo era inútil. Estaria privado de razão, seria um louco, mas amava, e esse amor era a sua vida. O pai quisera levá-lo para os castanhais em companhia do irmão e da cunhada, mas ele fugira de casa, e sozinho, embarcara numa pequena montaria de pesca, e seguira a galeota do Neves Barriga, em demanda do rio Urubus. Ali tivera a inefável ventura de achar-se muitas vezes a sós com o ídolo de sua alma, e ouvira a grata confissão de que correspondia ao seu amor. Imaginasse Macário se fora ou não feliz, e se essa doce intimidade de longos