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ferozes munducurs.

A imaginação exaltava-se. Já cuidava em dirigir a palavra aos índios, chamando-os ao seio de Cristo, persuadindo-os a abandonarem a vida errante de guerras e roubos para se entregarem ao doce jugo da civilização brasileira. Previa-os relutantes, ébrios de ódio, ardentes de vingança, agarrando o missionário, amarrando-o a uma árvore, crivando-o de setas como a outro S. Sebastião. E aquele martírio prelibado entusiasmava-o, achando-se grande e só na vasta amplidão do deserto. Aquele, sim, era um ideal digno de padre Antônio de Morais! Aquele o templo para as suas orações, aquele o teatro para os seus merecimentos, aquela a preocupação para o seu espírito religioso e austero. Uma ambição desmarcada enchia-lhe o cérebro e o perturbava. Mártir de Cristo, o seu nome, até ali obscuro, ressoaria pelo mundo, levando os ecos às gerações da posteridade. Seria o Francisco Xavier das florestas amazônicas, o Apóstolo das Índias Ocidentais, e um dia o Hagiológio romano contaria outro