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contando com os insetos, com a fome, com as itempéries, com os perigos da navegação realizada com a pasmosa segurança de quem atravessasse de Silves para a foz do Urubus, era coisa muito de admirar em homem que tinha por obrigação ser sisudo e prudente. Começara a viagem numa excelente igarité, espaçosa e segura, tripulada por dois remeiros vigorosos e práticos, sortida de víveres abundantes e de tudo mais que era preciso numa viagem ao sertão. Como, porém, perdera tudo isso, metera-se-lhe na cabeça, num momento de insensatez, continuar a viagem a todo o transe, custasse o que custasse, para não retroceder. Agora uma dúvida atroz estava-lhe atravessando o espírito. Fora o exemplo da coragem sobre-humana dos mártires antigos que o levara àquele passo, ou uma tentação demoníaca que lhe excitara a vaidade pueril de não parecer vencido por obstáculos triviais? De relance esta última idéia iluminara-lhe o entendimento. O inimigo da alma insinuara aquela inqualificável teima, que o desarmava