Abrir menu principal


caro, e dessa humildade extrema em que pedia a Deus o perdão do seu maior pecado, vinha-lhe um grande abatimento que a fadiga e a fome aumentavam.

Viera a noite e a chuva caía sempre, obrigando os viajantes a deixar os remos e a esgotar a água que a canoa fazia por todo o costado. Não fora possível fazer fogo para preparar a comida. Abeirados a um estirão de terra que se lhes deparara, fora preciso passar ali a noite toda, interminável e chuvosa, na escuridão. A chuva já não dava em bátegas, mas num fino e frio chuvisqueiro, contínuo e monótono, penetrando os ossos. Do Canumã, das margens alagadas, do seio da floresta, embebida em água, vinham vapores úmidos, um grande cheiro de barro, de madeiras molhadas, de folhas secas repassadas de água, de paus apodrecidos, de lama revolvida. E do céu tenebroso e infinito a chuva caía ainda, trocando umidade por umidade, e saturando de água a terra, como se lhe quisesse extinguir o ardor do seio com um novo dilúvio fecundante.