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O padre, ao recordar a frase, sorria, e logo se lhe firmava melhor na memória a figura do Felisberto, a repetir frases de um latim das brenhas estropiado e ridículo; e a dar aquelas explicações todas, com muita minudência, satisfeito por mostrar que não era um caboclo qualquer, mas um moço que tivera a sua educaçãozinha e até acolitara a padre João da Mata na própria Matriz de Maués, em pequeno, pelo que sabia ajudar a missa, acompanhar um enterro, puxar uma ladainha, e gabava-se de outras prendas... raras nos sertões de Guaranatuba. O sorriso fugira, porém, dos lábios do padre, ao lembrar-se do Macário, do seu pobre companheiro, que embalde procurara por toda a margem do rio, chamando-o em altas vozes, repetidas pelo eco da outra banda, e que talvez àquela hora tivesse naufragado, na frágil embarcação que a precipitação e o medo não lhe permitiriam dirigir com acerto no curso acidentado do Carumã. Depois perdido, sem recursos à beira dum rio deserto, padre Antônio