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olhos da razão. Agora, sentado no fundo da rede, prestes a estender o corpo sobre o seio amoroso do alvo linho lavado, via tudo com a calma e segurança dum homem que não se deixa enganar por escrúpulos vãos. Admirava-se dos terrores infantis que o haviam perseguido, e começava a desconfiar de que não andara até ali o caminho do bom senso, mas um desvio da imaginação enferma.

Felizmente o senso comum do campônio, que as teorias e a disciplina do Seminário não lhe haviam tirado, espancava as dúvidas da mente escaldada pelo terror dum castigo imediato e que nada fazia prever. Adormecer na segurança do bem-estar atual, reservando para mais tarde os cuidados da salvação eterna, era a verdadeira filosofia prática que o amazonense adotava, que a floresta, o rio, toda a natureza amazônica ensinavam numa fresca madrugada. Adiar era ganhar tempo, sem perder coisa alguma; graças à infinita bondade do Criador sempre havia tempo para