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Aqueles homens vestidos de casimira, com ares de empregados públicos, que passeavam lentamente a calçada do Palácio, talvez que, àquela hora, estivessem falando dele, padre Antônio de Morais, à sombra das árvores quietas, no intervalo do ruído dos carros que vinham da Travessa da Rosa, e os padres, ao saírem do colégio para se encaminharem dois a dois para a estrada de S. José, comentariam talvez a história extraordinária do antigo seminarista que em assunto de teologia moral levara à parede o maior teólogo do bispado.

Embebido nos pensamentos que as recordações evocadas lhe faziam nascer, padre Antônio não sentia o ubá correr pela superfície do Ramos. João Pimenta e o Felisberto respeitavam-lhe o silêncio, supondo-o causado por amargas saudades da Clarinha.

No fim de duas horas de viagem, o ubá saiu ao Amazonas, vasto, estendendo-se para todos os lados a perder de vista, e no meio daquele imenso rio, cujas águas cor de barro, açoitadas por forte viração