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se brutal, despótico, egoísta em extremo, parecia que o mundo fora feito para ele só, ou, pelo menos, que a sítio das Laranjeiras só produzia para ele, e os seus habitantes só deviam viver para o servir. A mulher, nulificada, triste mas resignada, fazendo-se dócil,

submissa e aduladora para evitar brutalidades, chorava em silêncio. Os filhos viviam à solta, sempre longe de casa, nos campos, no rio, no curral, para fugir à presença terrível do velho e à negra melancolia que devorava a pobre mãe desgraçada. Antônio era o mais velho e o mais peralta. O padrinho, o comandante superior, admirava-lhe a viveza, e um dia resolvera tomá-lo sob sua proteção e mandá-lo à sua custa para o Seminário, a fim de receber educação conveniente.

A pobre mãe quisera, a princípio, opor-se à resolução do compadre coronel, sentindo-se incapaz de resistir às saudades do Antonico, o seu filho predileto mas o bom senso e a lucidez intelectual de que era dotada venceram a excesso de amor