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parnaso sergipano




II
Lagrymas e amores


Quando no espaço bruxoleia a aurora,
Mandando á terra divinaes pallores,
O doce orvalho, que nos campos chora,
São lagrymas e amores.

Nas frescas tardes, nas manhãs de maio,
Que aqui renascem, que alli brotam flores,
Quando chorarem, o seu pranto amai-o,
São lagrymas e amores.

Amai-o; as flores tambem têm segredos,
Sim, vivem, morrem, teem sorriso e dores ;
Vêde esse pranto, decifrai enredos,
São lagrymas e amores.

Quando, transpondo do horisonte a corda,
O sol se despe dos gentis fulgores,
Brancas estrellas de que o céo se borda,
São lagrymas e amores.

Quando na campa, que o cypreste esguio
Com a sombra cobre de enluctadas côres,
Chorarem brisas, que acordou o estio,
São lagrymas e amores.

Quando o arco-iris lá no cèo se arqueia;
Para, chovendo, refecer calores,
Esses gottejos porque o sol anceia,
São lagrymas e amores.

Quando, por noites de luar ameno,
O céo se esmalta de cem mil primores,
Esses rorejos do subtil sereno
São lagrymas e amores.